Toada Ndongo

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Pomba-gira cigana, Exu-mulher

há algo de ti que me cabe

seja a presença, seja a saia

tenho seu fundamento

há muito de ti que me sabe

na encruzilhada plantei palavras

dei de comer e de beber a outros saberes

é seu nome, então, que hoje canto

em ritmo banto, na toada Ndongo

Pomba-Gira cigana, Exu-mulher

guarde-me em sua quartinha

pois nada sou sem seu colar de contas

pois nada posso sem sua mandinga

“Toada Ndongo”, do livro “366 poemas para 2020” (mimeo)

e lá komunz praticávamos amores

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Playa de Santa María, La Habana, Ovtubre de 2011. Archivo Personal.

http://www.uel.br/revistas/uel/index.php/estacaoliteraria/article/viewFile/28311/20471


a palavr’incertitude, a palavra diarma, ruído,
arsenal sonoro contra a noite desse silêncio imposto.
o ritmo – eternamente refeito a partir d’uma única
duração. o tempo – talvez seja preciso inventá-lo.
édouard glissant. martinik.1928.2011


pra
ler na calçada

[…]


I


irmano-me ao que mora onde dorme
e como a cura dos desejos,
escuros meus

dou a eles o que
em mim desconhece nome
paradeiro possível de tentativa
sabotada
fiz um negócio vendido
barato na mentira da vitrine
sei de tudo conquanto habito:
disso faço palavra inflamada e
obscura estrada


de terra mestiça
atenta deito nas cores
das minhas razas
mestizas


sou conquanto daquilo conquefluo
e pereço por donde me deit

faço círculos e leis na areia
da qual me despeço desenhos
e castelos, outrora sonhados,
hoje sabidos: a víbora
sedenta espera
o sapo:
cadeia da vida
aniquilá-lo

II


de pés descalços meço o passo por dentre
as plantas que se desenham verdes enovelada
de areia e banalidades dos homens que ali
estiveram sozinhos
cadência e restinga
solfejam o ritmo desse peregrinar sutil
tropeço nas crias das tartarugas
que me comeram a placenta, gesto
nelas calor da caminhada e bendigo
elas que devirão tantas outras
proteger serpentes que tecem sós
e não temem ratoeira
é que me constituem tantas coisas que
me chamo todas elas depois de ti,
depois de ti que me soube caminho
deserto que me fui assim

III


meu corpo tomado pelo que de ser junta-se
centrípeto no seio navegado pela língua
meu corpo febril e os pêlos que de si sabem
levantar-se ambíguos em leito estrangeiro
tomas de pesar o amuleto,
alguma coisa então segue nos paradeiros da falta
passo as tardes tanto caminho
o dia Fluxo amorfo, navegam
meus pés, sublime restinga
erva nasce na areia como pequeno fossem as
bravuras do peito
alento e sina de marcha
delirante povos gentios que infeccionam
o ritmo desse peregrinar sutil
encontro em minha fronte parede vegetal
refletidas, as lonjuras marítimas
aperto o passo,
tanto canto a seita


IV


desse tamanho em que me cabe a bravura
alenta-se ninho estranho no peito que
nino e entrego estado sôfrego à carência
dos seres cuja moralidade renega
minha morada no abismo
destina-se leito o colo que ofereço
e do dengo dos dias deito dormito
daquele cheiro que carrego presença
dele em minha pele rasurada
bulbo capilarizado é matéria que bebo
em meus chás e outros pecados –
feitiçaria ancestral
desde lá aceita


nu feminino
fosso
ferida inversa


V


coisa tinha de caminho nesse amuleto
afeito de vida e sombra, lejanías da
falta castigada, memória
ancestrais anseios disputam medida –
no peito tênue,
patois antigo
difícil passagem
anda onde espreita

rezam e as lendas
sondam memória uterina
resta corpo e febril
perde o rosto
resto da pele
assim me assomo mais ao mundo esmo


VI


marco o caminho na areia
estilhaçada pela gravidez da cama,
encarniçada de vida,
tal qual o mangue por donde me deito
pedra sabe retina
ouso a amplitude do corpo que é meu e me sonda memória o delírio ancestral do
verbo

VII


perco caminhada de silenciosa estrada atenta domínio errático
letra extermínio sangue
busco caminho em campos de areia
matéria que não guarda lembrança
nem do sangue nem do visco
nem dos estupros nem da amplidão
nesse solo
que ora redunda
mangue
ora restinga
sei tal sina
soro sutil


VIII


a despeito do quanto
sondo patois martiniano nesse leito
garimpado pedra
quem seja minha nobreza genética?

[…]

i no original, esses são os oito primeiros poemas do tema “habitações”. in: misantrópolis. ato ii, lejanías.

A França e os Fascismos de suas Esquinas


Paris. Quinta-feira. 22 de novembro de 2012. As pessoas ganhavam a vida nas ruas fluidas do Barbès-Chateau Rouge[1]. Nessa normalidade patológica, o apartheid silenciado e silencioso da cidade do amor (sic) se dava aos olhares atentos das frestas boquiabertas de tanta vida. De repente, uma das esquinas explodiu: era o muro dizendo que uma hora (ir)rompe. Uma van completamente navalhada por dizeres que pareciam funcionar por dispersão: dizeres contra a opressão em geral; dizeres sobre o socialismo mentiroso de François Hollande, dizeres reclamando do sexismo, dizeres reclamando mudança de postura por parte de certos grupos de homens. A dispersão dos enunciados não se diria mais, pois que a mulher negra habitava, naquela tarde, o topo do carro. De cima dele, discursava indignada contra os problemas já-ditos antes dela, em outro lugar talvez.

« Acoma tonbé, toutt moun di sé boi pouri. » – Proverbe martiniquais

A van, um dia branca, fazia-se livro aberto para quem quisesse ler. No alto da van, uma mulher negra gritava palavras de ordem. O discurso inflamado da mulher negra começa a ser abafado pelas sirenes azuis. Rapidamente cerca de dez viaturas chegaram àquela esquina do bairro negro (e) árabe (e) imigrante. Quebraram o vidro da van, e a golpes violentos derrubaram a mulher negra de cima da van. Cinco policiais gritavam com a mulher negra que estava em cima da van. Imobilizaram a mulher negra, que continuava gritando. Não havia uma policial mulher para fazer a revista: um policial branco apalpou a mulher negra. Em volta da mulher negra, do policial homem branco, e da van outrora branca hoje livro aberto, uma multidão de negros (e) árabes (e) imigrantes observava a prisão. Alguns filmavam.

O primeiro policial homem branco pede que eu me afaste. Eu o chamo de fascista. Um homem branco se para diante desta câmera, e me ordena parar. Eu ignoro, como se desconhecesse a palavra de ordem. “Meus colegas estão fazendo o trabalho deles. Você não pode fotografar”, ele grita sua estupidez com coragem. – “Eu conheço a lei.”, respondo rapidamente, recorrendo ao discurso legalista (o mesmo ao qual faço frente). “Você conhece a lei, mas não conhece a França. Eu ordeno que você pare”, diz ele possuído pela pragmática de seus atos. Nesse exato instante, ele tenta tampar a câmera com as mãos. Violentamente tenta arrancar o celular da minha mão. Eu tento me desvencilhar dele, como quem ignora a violência e me afasto. Na última investida dele, saio, sina de Chico, correndo.

Ainda tremendo pela violência da figura bárbara do homem branco, entro no metrô e me misturo à multidão que, impávida, não se afeta.


[1] Barbès e Chateau Rouge designam uma faixa territorial no norte da Paris intra-muros. É um lugar temido pelos parisienses de origem franca, mas é lá minha Paris preferida, onde encontro feijão, fubá, quiabo, e descubro sabores e cheiros que emocionam minhas memórias ancestrais. Os parisienses dizem que o Barbès e o Chateau Rouge são perigosos porque lá existem muitos “árabes”, “africanos” e “imigrantes”.  

Em Memória de Seu Vermelho, cantamos: Olorun kosi pure 🦉

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Trabalhador rural é assassinado a machadadas no Quilombo Rio dos Macacos, na Bahia

“Beatriz Nascimento. Quilombola e Intelectual. Possibilidades nos dias de Destruição” – União dos Coletivos Pan-Africanistas UCPA Editora Filhos da África, 2018, p. 7
“Beatriz Nascimento. Quilombola e Intelectual. Possibilidades nos dias de Destruição” – União dos Coletivos Pan-Africanistas UCPA Editora Filhos da África, 2018, p. 6.

Fidel: sombra e sol

Nota

Joy Sunset, Porto da Barra. Agosto de 2019.

http://www.cuba.cu/cultura/2019-11-25/fidel-siembra-y-sol-/49575

Fidel es gigante, infinito, vive de mil maneras entre nosotros. Fidel permanece en el presente de Cuba que es en gran medida su obra y, absolutamente, su legado.

Conversamos con algunos creadores cubanos de varias generaciones, sobre la vigencia y la impronta del líder eterno de la Revolución cubana en el arte y la cultura de la isla.

Desde lo más autóctono de nuestra cultura, llega la imagen de Fidel al trovador que tanto le ha cantado, Raúl Torres nos repite una palabra en mayúsculas: «Estoy viendo a un poeta en Palmas y Cañas, (un programa que no dejo de ver nunca desde niño) y mientras se inspira y canta su tonada van poniendo imágenes de Fidel, Fidel sonriendo, Fidel pensando, escuchando, discursando… y los versos del poeta se mezclan con otros que voy mascullando entre labios intentándoles la rima y me vuelvo a sorprender inspirándome en nuestro numen, nuestro genuino portador de dignidades, nuestro salvador de almas, nuestro hacedor de seres brillantes que le guardan en el centro del pecho y al final de todo me quedo sin terminar el octosílabo, sin encontrar una rima decorosa para la palabra, GRACIAS… Comandante GRACIAS».
 

La joven instrumentista y cantante Maylín Quintana, consideró: «Uno de los legados del líder histórico de la Revolución cubana, es el acceso a la cultura como un derecho humano por encima de élites y de visiones excluyentes. De hecho, la primera ley revolucionaria en el ámbito cultural la firmó Fidel. Al triunfo de la Revolución establecía la fundación del Instituto Cubano del Arte e Industria Cinematográficos (ICAIC), institución cuyo principal evento sigue siendo uno de los más prestigiosos en el continente: el Festival Internacional del Nuevo Cine Latinoamericano».

Para Arnaldo Rodríguez, bajista, cantante y Director del Talismán: «uno de los conceptos más importantes que tenía Fidel sobre la Cultura era el sentido de la masificación del Arte. Tener la visión-intención de que las mayorías pueden tener acceso a la cultura como un derecho y no como privilegio exclusivo de los que tienen dinero, la creación de un sistema nacional de enseñanza artística para la formación profesional en todas las manifestaciones.

«Y yo me pregunto. ¿Hay algo más revolucionario, en el sentido renovador de la palabra, que crear y formar el concepto de Instructor de Arte? En cada barrio, comunidad, lomerío o ciudad un profesional que contribuye a apreciar el arte, a dinamizar la vida en colectivo, a orientar a futuros artistas ¡es una idea fenomenal!

«Por otro lado, Fidel impulsó siempre la formación de una sociedad con Individuos que alcanzarán un nivel básico de cultura en su percepción integral,  más allá del hecho artístico. Que cualquier persona sea obrero, intelectual, ama de casa, estudiante, aprendiera a discernir, valorar, incluso realizar una crítica… es realmente impresionante. Y ahí lo ves en las polémicas populares que hace la gente cuando se realizan concursos y competencias artísticas…emiten criterios muy acertados.

 «Cuba tuvo una Revolución política y social en 1959, pero también hubo una revolución cultural con todo esto que te digo, y mucho más…..otro ejemplo: El fácil acceso de las mayorías a grandes espectáculos, conciertos, ferias culturales, magnos eventos artísticos, y esto es my importante,  pues aunque los cubanos pagan poco para entrar a un teatro, mantener y sostener la infraestructura de la Cultura es altamente costosa. Y Fidel insistió siempre en la necesidad de sostener la economía de la cultura, como un esfuerzo del Estado para no perder la esencia de que es un beneficio público».

Amanda Sofía Perelló, estudiante de la escuela de música Manuel Saumel, tiene muy clara su mejor herencia: «El legado más grande de Fidel es que gracias a él tenemos nuestras escuelas de arte gratuitamente. Lo cual facilita que se nos abran  puertas en el mundo del arte ya que no tenemos la preocupación de si nuestros padres pueden pagarnos los estudios. Y además el amor y la fidelidad a la patria, sentimientos que podemos expresar a través de nuestro medio más fácil: el arte, en nuestro caso la música».

Y Rubén Darío Salazar Taquechel, Director del Guiñol Nacional y de la Compañía Teatro de Las Estaciones, también comienza a agradecer por la siembra: «Lo primero que el arte y la cultura cubana tendrá que agradecerle eternamente a Fidel y la Revolución es la creación de las escuelas de arte. Una cantera de futuro. Muchos de los que hoy brillan con su obra en la isla y el mundo, fuimos formados allí, de manera gratuita y con los más prestigiosos profesores. Libros, conjuntos artísticos, museos,  las casas de cultura, son parte del proyecto de confirmación de lo nacional, sin chovinismo, sino en diálogo con el arte y el pensamiento del planeta. Tengo orgullo de mi tierra, de mi pueblo culto y popular. Fidel, tan fiel como su propio nombre ayudó para que así fuera y pudiera andar por todas partes con el nombre de Cuba en el pecho cual un sol».

Lunes: é sempre dia de Elegguá

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Trecho traduzido de http://www.es.santeria.fr/2019/08/06/eleggua-dueno-de-los-caminos/ , com a permissão de SanteriaFR.

Elegguá es el portero de todos los caminos, del monte y la sabana, es el primero de los cuatro guerreros junto a Ogun, Ochosi y Osun. Tiene 21 caminos y sus colores son el rojo y el negro.

Elegguá é o guardião de todos os caminhos: do monte e da selva[i]. É o primeiro dos quatro Osha Guerreiros, junto a Ogun, Ochoci y Osun. Elegguá tem 21 caminhos. O vermelho e o preto são as cores de Elegguá.

Es válido aclarar que elegua es conocido como «el de los 201 y los 401» pues se mueve entre los ángeles que están a la derecha (los 401) y los que están a la izquierda (los 201). Tiene el poder sobre ambos lados, controla los reinos del mal y del bien, él crea el balance entre las dos fuerzas, a la vez que tiene dominio sobre ellas.

É válido explicar que Elegguá é conhecido como o dos 201 e dos 401, já que se movimenta entre os intermediários que estão à direita (os 401), e também entre os que estão à esquerda (los 201). Elegguá tem o poder sobre ambos os lados, controla os reinos do mal e do bem. Ele cria o equilíbrio entre as duas forças, uma vez que tem domínio sobre elas.

Muy notable es la coincidencia con los distintos panteones de la cultura global, en los cuales se observa frecuentemente la existencia de una deidad que siempre recibe las ofrendas primero que el resto de las deidades.

É notável a coincidência com os distintos panteões de outras culturas do globo terrestre, em que se observa frequentemente a existência de uma deidade que sempre recebe as oferendas antes das outras deidades.

Eleggua es una deidad muy dada a hacer trampas, y a la vez es quien comanda los ejércitos. Puede decirse que el favorito del Dios superior de su panteón.

Eleggua é uma deidade muito dada a fazer travessuras e, por sua vez, é quem comanda os exércitos. Pode-se dizer que Elegguá é o favorito de Olodumare.

Eleguá: Es un Osha. El primero de un grupo inseparable concneptualmente junto con Oggun, Ochosi y Osun (Orisha Oddé). Es la primera protección de un individuo que siempre está para salvarle, su guía.

Elegguá: é um Osha. O primeiro de um grupo conceitualmente inseparável, junto com Oggun, Ochosi e Osun (Orisha Oddé). É a primeira proteção de um indivíduo, que sempre está presente para lhe salvar, seu guia.

Este es el primero que debe entregársele a cualquier persona que lo indique la consulta. Representa la vista que sigue un sendero. En la naturaleza está simbolizado por las rocas. Es el mensajero de Olofin.

Elegguá é o primeiro que se deve entregar a qualquer pessoa que a consulta assim o indique. Representa a visão que segue um sendeiro. Na natureza, Elegguá é simbolizado pelas pedras. É o mensageiro de Olofin.

Vino a la tierra acompañando a todos los odun de ifa es un Orisha adivino. Es el que abre y cierra los caminos. Vive generalmente detrás de la puerta. Siempre hay que contar con él para hacer cual quier cosa.

Elegguá veio à terra acompanhando todos os odun de Ifá. É um Orisha adivinho. É ele que abre e fecha os caminhos. Vive geralmente detrás da porta. É sempre preciso contar com Ele para que qualquer coisa seja feita.


[i] Eleggua, sabana es selva? Dijo: XXOO.

hoje muda tudo

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É sempre difícil saber quanto tempo leva pra uma decisão do presidente, junto com o Congresso – com o Congresso, com o Supremo, com Tudo, chegar até nossa geladeira. Mas eu me lembro: fiz minha primeira campanha política para o PT em 2002, aos 15 anos (obrigada, Lucimar Barbosa PT-ES), e só em 2006 na minha casa começamos a comprar azeite doce, que colocávamos em comidas que poderiam ser armazenadas na nova geladeira recentemente adquirida com ajuda do incentivo fiscal do governo.

Autor desconocido por mi

Azeite doce era uma coisa que não tinha lá em casa até então. A novidade fez sucesso. Tudo era motivo pra comer azeite doce. Arroz com azeite doce. Feijão com azeite doce. Ovo frito no azeite doce? Que delícia!

Por causa do azeite doce, eu passei a acreditar, então, que levava um certo tempo pra que uma decisão do povo – junto com o Congresso, com o Supremo, contudo, chegasse até nossa geladeira. Mas descobri que me enganei. Não leva tanto tempo.

Hoje foi o dia que pesou. Sabe quando a gente sente que tá com uma bola de gude dentro do coração? Então. Foi hoje. Hoje foi o dia que eu vi o riozinho de sangue, escorrendo da ferida aberta pela facada que a Educação brasileira levou em abril de 2019.

Hoje foi o dia que o Instituto onde eu trabalho anunciou que desligarão, na marra, pra ninguém tentar ligar, todos os aparelhos de ar-condicionado do prédio.

Hoje foi o dia que o Instituto onde eu trabalho anunciou que não haverá bebedouros nos andares ímpares.

Hoje foi o dia que descobri aquilo que jogou a gude com força no meu coração: 400 alunxs perderão o auxílio-alimentação arbitrariamente. Não precisava nem ser comida com azeite doce, mas 400 pessoas não terão o que comer a partir da próxima segunda-feira, caso não justifiquem uma série de arbitrariedades.

Hoje descobri, porque fui reservar o auditório da Universidade onde eu trabalho, que não poderei oferecer curso de extensão aos sábados, já que não se pode mais fazer curso de extensão aos sábados – somente de segunda a sexta, de 8h às 18h. Que massa! Se você é trabalhadorx e quer fazer curso gratuito na Federal, coma biscoito e volte duas casas.

Hoje foi o dia que descobri que a decisão do presidente, e a mudança na nossa geladeira, acontecem no mesmo dia: hoje. Hoje muda tudo.

Hoje muda quando eu descubro o riozinho de sangue. Hoje também muda quando eu experimento o azeite doce.

Não deixe para amanhã a mudança que precisamos fazer hoje. Do sangue no olho que está nos faltando, estanquemos a ferida aberta na sociedade brasileira, costurando a universidade necessária – pública, gratuita e para todxs.

Há muita pela frente.

Lute você também!

https://youtu.be/mnNwoA0Dhjk A nosotrxs, la dignidad rebelde

¿ Quienes somos ?

Galeria

Tradução de: http://www.es.santeria.fr/quienes-somos/ ¿ Quem somos nós? Antes de tudo, precisamos constantemente desligar a imagem de sorcellerie (feitiçaria, bruxaria) que frequentemente é atrelada aos cultos amefrikanos . Cultos que aproximam as forças positivas e negativas, mas que não se colocam … Continuar lendo

On a quitté la représentation

Rodin Sotolongo Zapata, 2012.

Paris, 27 de novembro de 2012. Rompemos com a representação. Os fluxos, nós mesmos, estamos desnudados na arte de Rodin Sotolongo Zapata. Não temos mais a difícil missão de ver através. O convite e o caminho para o trágico estão ditos e não-ditos no silêncio que habita o percurso poético da obra de Rodin Sotolongo. Entregues à seita, pode-se então fluir com linhas e ungüentos para os corações machucados de tempo[1].

O intento é o de espraiar em fluxo a correnteza que são os encontros fatigados por esse estado crônico de contemporaneidade em que vivemos. Alento e afeto, os trabalhos de Sotolongo nos dão medida de um prazer que conhecemos bem em nossa terra: criação e agradecimento. Isso se faz matéria pela tinta, ora mais opaca, ora mais transparente, do homem que o artista materializa no branco que já não mais.

A vida, este intento, se faz saga quando a tinta desnuda o branco da tela, constituindo-se silêncio e poética de devir ancestral. Se Elegguá me permite, todas as linhas cantam caminho. Caminho são as gentes fatigadas de ida, caminho são pessoas esquecidas de ser. Caminho este isso fabuloso que temos devir e ternura. Se nos cansamos do estado, a arte nos traz viva matéria.

O corpo desvario tênue de acasos e outras predileções. Se nos aponta a direção, aponta também gesto tênue de purezas que esquecemos que o foram. O inominável pensador bailarino, quadro de minhas predileções, é ele mesmo encantamento mágico de fúrias,  patois milenar de nossa língua criola. Se desconhecemos força e estranheza, é que resta a memória de nossas ruas sedentas de resposta. Se o trágico indoafrolatinoamericano é esse lugar de ancestralidade contemporânea, podem paradeiros as linhas de fuga.

Trata-se, camaradas, de uma arte da fome, pois que dela se vive e com ela se come. Rodin infecciona o branco de suas telas por percursos que não temem a explosão, viela e constância com forças que o ultrapassam. A História ultrapassa a todos nós. Nesse espaço de significação, podemos dar a ver, pela arte, refúgios que lembram oásis.

Lembram, sobretudo, sina.

Nós, indoafrolatinoamericanos.

Nós, esse entelugar.

Servicio: http://www.alter-nativa.net/2012/11/25/apero-show-favela-chic/

18h Ouverture avec l’Exposition de Rodin Sotolongo Zapata

Cet artiste cubain récemment arrivé de La Havane trace une calligraphie d’où surgit un monde animé. Économie de moyens et force picturale qui rappellent l’esprit d’une affiche de film cubain comme celle de « Memorias del Subdesarrollo »…

19h et 20h Séances de « Descarga Visuelle »
Une création inédite pour ouvrir l’Apéro Show.
Rodin Sotolongo sur scène accompagné de son frère Inor Sotolongo, grand percussionniste de la scène latin jazz internationale (Raul Paz, Herbie Hancock, Mario Canonge, Omar Sosa…), pour faire résonner leurs talents et composer ensemble une tableau remuant…

www.myspace.com/inorsotolongo
www.myspace.com/rodinsotolongo


[1] Hilda Hilst

Cuento estrellas sin dormir

Archivo Personal, jan2018.

Tengo la misma edad del rocío. Nací del Obí de Osun y Yemaya. Hermana sanguínea de las palenquerías aisladas, sigo viva en el pueblo de los atravesado. Ahijada de Padre António de Aruanda, del Padrino Ifaladé y de la Madrina Oshun Bomire. Aprendiz en periodismo y traducción, en este “suporte anciano” compartiré mis estúdios de traducción pós-colonial. En este momento, trabajo en la traducción para el portugués de “El Gran Libro de la Santeria – la Regla de Osha-Ifa”, manuscripto por mi Madrina y mi Padrino. Mi desafío, ademas las técnicas de traducción, es (no) decir en Lengua Portuguesa el secreto y el sagrado de tantas lenguas atravesadas. Entonces empezaré con traducciones sencillas de noticias de periódicos que me gustan, y seré grata de escuchar sugestiones y consejos! Hasta agosto de 2020, tengo ganas de tener finalizada la primera parte de esta investigación. Que Eleggua, la fuerza de la comunicación, sea siempre mi mejor y más fiel abogado. Maferefun Ifa, Maferefun la Osha!

“Eles combinaram de nos matar. Nós combinamos de não morrer.” Conceição Evaristo

#traduccion #laosha #eleggua #quiensoy #zerotohero