Não chegou. A hora. O lugar. A vez. O tempo. Não chegou ainda o momento. A situação. O acaso. O ocaso. A possibilidade de laço. Ainda não. Não chegou. A hora. Eu estava ali no segundo marcado. Nada. Nem sombra. Nem dúvida. Nem pedido. Nem mensagem. Não chegou. O sinal de fumaça. O pombo-correio. O menino de recados. Nada. Quem reclama está com tudo em dia – o ebó, o abô, as contas, o amor. Aqui, não chegou. A carta. O telegrama. O e-mail. O carteiro disse que não tinha nada para mim. O tinder disse que já não havia pessoas por perto. Ainda não. Não foi dessa vez. Quem reclama tá de bucho cheio, por isso arrota. Aqui, por enquanto, nada. Até fui à vizinha perguntar se, caso, talvez. Mas não, nada. Recolhi minha tenda, fiz que demorei. Nada. O sol já se foi, mas volta amanhã. Nada é tão eterno que não possa retornar.

Não

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s