Necrópsias da Memória [excerto]

Frida Kahlo, Hospital Henry Ford (1932).

[…] No sábado, Sara se vestiu toda de branco e posicionou seu turbante florido na cabeça. Para que as ideias não fujam, enquanto torcia o tecido de um euro comprado na Montmartre. Sara já sabia que havia roubado a tocha da revolução, não uma simples caixa de fósforos. Sara caminhava pela Tolbiac com a certeza de que a vitória latinoamericana traria bons frutos. Não era propriamente um roubo, portanto. Sara sentia-se irmanada. Sara via seus ancestrais dançando em volta dos firmes passos que dava. Sara estava calma, contente. Sara cumprimentava quem a saudava. 

M. e Mme. Lauvo já estavam no apartamento quando Sara chegou. Os alimentos estavam todos dentro de duas ou três sacolas. Sara cumprimentou o casal e sentou no fouton, agora fechado. Sara ouviu as desculpas, mas mudou de assunto. Os Lauvau pareciam aceitar a derrota. Sara contou sobre sua ida à Papillon. Sobre suas investigações. M. Lauvo, com seus grandes olhos azuis, disse que a língua da juventude havia sido roubada. Sara não discutiu. Sara sorriu timidamente quando Mme. Lauvo disse que também deveria ir para Réunion, que havia assuntos interessantes também lá. Trocaram mais algumas poucas obviedades. Sara puxou o carrinho de feira. Despediu-se. […]

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