On a quitté la représentation

Rodin Sotolongo Zapata, 2012.

Paris, 27 de novembro de 2012. Rompemos com a representação. Os fluxos, nós mesmos, estamos desnudados na arte de Rodin Sotolongo Zapata. Não temos mais a difícil missão de ver através. O convite e o caminho para o trágico estão ditos e não-ditos no silêncio que habita o percurso poético da obra de Rodin Sotolongo. Entregues à seita, pode-se então fluir com linhas e ungüentos para os corações machucados de tempo[1].

O intento é o de espraiar em fluxo a correnteza que são os encontros fatigados por esse estado crônico de contemporaneidade em que vivemos. Alento e afeto, os trabalhos de Sotolongo nos dão medida de um prazer que conhecemos bem em nossa terra: criação e agradecimento. Isso se faz matéria pela tinta, ora mais opaca, ora mais transparente, do homem que o artista materializa no branco que já não mais.

A vida, este intento, se faz saga quando a tinta desnuda o branco da tela, constituindo-se silêncio e poética de devir ancestral. Se Elegguá me permite, todas as linhas cantam caminho. Caminho são as gentes fatigadas de ida, caminho são pessoas esquecidas de ser. Caminho este isso fabuloso que temos devir e ternura. Se nos cansamos do estado, a arte nos traz viva matéria.

O corpo desvario tênue de acasos e outras predileções. Se nos aponta a direção, aponta também gesto tênue de purezas que esquecemos que o foram. O inominável pensador bailarino, quadro de minhas predileções, é ele mesmo encantamento mágico de fúrias,  patois milenar de nossa língua criola. Se desconhecemos força e estranheza, é que resta a memória de nossas ruas sedentas de resposta. Se o trágico indoafrolatinoamericano é esse lugar de ancestralidade contemporânea, podem paradeiros as linhas de fuga.

Trata-se, camaradas, de uma arte da fome, pois que dela se vive e com ela se come. Rodin infecciona o branco de suas telas por percursos que não temem a explosão, viela e constância com forças que o ultrapassam. A História ultrapassa a todos nós. Nesse espaço de significação, podemos dar a ver, pela arte, refúgios que lembram oásis.

Lembram, sobretudo, sina.

Nós, indoafrolatinoamericanos.

Nós, esse entelugar.

Servicio: http://www.alter-nativa.net/2012/11/25/apero-show-favela-chic/

18h Ouverture avec l’Exposition de Rodin Sotolongo Zapata

Cet artiste cubain récemment arrivé de La Havane trace une calligraphie d’où surgit un monde animé. Économie de moyens et force picturale qui rappellent l’esprit d’une affiche de film cubain comme celle de « Memorias del Subdesarrollo »…

19h et 20h Séances de « Descarga Visuelle »
Une création inédite pour ouvrir l’Apéro Show.
Rodin Sotolongo sur scène accompagné de son frère Inor Sotolongo, grand percussionniste de la scène latin jazz internationale (Raul Paz, Herbie Hancock, Mario Canonge, Omar Sosa…), pour faire résonner leurs talents et composer ensemble une tableau remuant…

www.myspace.com/inorsotolongo
www.myspace.com/rodinsotolongo


[1] Hilda Hilst

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